Libertação de Nelson Mandela

30 Anos da Libertação de Nelson Mandela

Nelson Mandela

No dia 11 de fevereiro, comemoramos 30 anos de libertação de Nelson Mandela, após 28 anos na prisão por lutar contra o apartheid, ou “desenvolvimento separado de raças”, política de segregação que durou 46 anos na África do Sul.

O apartheid se apoiava em três pilares: a lei sobre a classificação da população, a lei sobre o habitat separado e a lei sobre a terra. Os habitantes eram classificados desde o nascimento em quatro categorias: branco, negro, mestiço e índio.

Na vida cotidiana, havia placas para reservar ônibus, restaurantes, bilheterias e até praias para a população branca. Os casamentos mistos e sexo interracial eram proibidos. Os negros tinham acesso à educação e à saúde de menor qualidade. Mandela é considerado um dos líderes mais importantes na luta contra a segregação racial.

Vamos conhecer um pouco sobre Madiba?

Seu nome era Rolihlahla Madiba Mandela, de origem africana. Na escola, lhe foi dado o nome “Nelson”, pois os britânicos não conseguiam pronunciar os nomes africanos.

Em 1939, com 21 anos, ele ingressou na “Universidade Fort Hare”, a primeira Universidade da África do Sul, fundada em 1916. Envolvido em movimentos estudantis e protestos dentro da Universidade, Mandela resolve deixar a faculdade, antes de terminar o curso, e vai para Joanesburgo, capital da África do Sul.

Foi nesse momento, diante dos problemas enfrentados na cidade grande e ainda do abismo existente entre negros e brancos, que Mandela resolve voltar a estudar e lutar contra o racismo em seu país.

Nesse contexto, Mandela começa a frequentar as reuniões da CNA (Congresso Nacional Africano), movimento contra o Apartheid. Em 1944, junto com Walter Sisulo e Oliver Tambo fundam a “Liga Juvenil do CNA”. Nesse mesmo ano, casa-se com Evelyn Mase, com quem teve 4 filhos. A união, entretanto, durou 12 anos. Em seguida abre o primeiro escritório de advocacia para negros de Joanesburgo, uma ousadia tremenda.

Em 1958, ele se casa pela segunda vez com a assistente social Nomzamo Winnie Madikizela. Dois anos depois, ocorre o “Massacre de Sharpeville”, quando a polícia reprime negros que protestavam pacificamente contra o regime e foram mortos pela polícia. A ação deixou 69 negros mortos e mais de cem feridos. O governo sul-africano se utilizou de caminhões para retirar os corpos e nenhum policial foi condenado ou preso.

Foto do Massacre de Sharpeville
Foto do Massacre de Sharpeville

Este fato foi decisivo para que Mandela se envolvesse ainda mais na militância política, tornando-se o comandante do braço armado da CNA. Em 1962, saiu escondido do país para pedir apoio, principalmente financeiro, à sua causa.

Ao retornar à África do Sul, ainda no mesmo ano, foi preso e condenado a cinco anos de prisão por participar da organização de protestos. Em outubro de 1963, Mandela e outros sete réus foram condenados à prisão perpétua, acusados de terem organizado 150 atos de sabotagem e enviado para a prisão da Ilha de Robben, destinada a presos políticos, na Cidade do Cabo.

Lá, isolado do mundo exterior por 18 anos, ocupava a cela de número 466/64, com dimensões de 2,5/2,1 metros e uma pequena janela; realizou trabalhos forçados em pedreiras, não recebia visita dos filhos, uma vez que menores de 16 anos, segundo as leis do país, não podiam ver o pai.

Winnie Mandela, sua esposa, mantinha viva a luta contra o apartheid e pela libertação de Mandela. As rebeliões explodiam, sobretudo nas township. Em 1982, foi transferido para a prisão de Pollsmor; em 1985, o então presidente Pieter Botha ofereceu a liberdade de Mandela desde que o CNA renunciasse à luta armada, o que foi recusado por Madiba, que mandou uma mensagem ao povo pela filha Zinzi: ‘‘Eu não posso e não vou prometer nada enquanto eu, você, o povo, não forem livres. A liberdade de vocês e a minha não podem ser separadas. Eu vou voltar. Amandla! (Poder) “. A luta continuava, dentro e fora da África do Sul.

Cela em que passou a maior parte do período preso
Cela em que passou a maior parte do período preso

Seu filho mais velho, Madiba Thembekile, morreu aos 25 anos em um acidente de carro, enquanto Mandela cumpria sua pena de prisão. Não foi permitida sua presença no enterro do filho. Sua mãe também morreu no período em que esteve preso. Depois de se tratar de uma tuberculose durante algumas semanas numa clínica, Mandela passou a viver numa casa, no pátio de outra prisão perto da Cidade do Cabo.

A resistência contra o apartheid foi se tornando cada vez mais violenta e as sanções internacionais contra a África do Sul foram se acumulando: exclusão dos Jogos Olímpicos, expulsão dos órgãos da ONU, embargo sobre armas, embargo à venda de petróleo, entre outros.

Ao assumir o governo em 1989, Frederik de Klerk reconheceu que reformas eram inevitáveis, para que o país não submergisse na guerra civil e no caos. Em fevereiro de 1990, cancelou a interdição do ANC, revogou algumas leis racistas e libertou Nelson Mandela, em 1990. Foram 28 anos preso, após uma grande campanha internacional, que fez com que fosse libertado, já aos 72 anos.

Mandela deixou a prisão em uma breve caminhando ao lado de Winie Madikizela
Mandela deixou a prisão em uma breve caminhando ao lado de Winie Madikizela

Um mar de pessoas, negras e brancas, cobria as ruas à espera de Madiba – apelido carinhoso dado pelos sul-africanos. Muitos não sabiam o que esperar da condição física do ex-prisioneiro tratado pelo Governo do apartheid como chefe de um movimento terrorista. A imagem de Mandela teve circulação proibida, e ele também não havia sido fotografado durante as quase três décadas em que esteve atrás das grades.

Ao sair da prisão, Mandiba fez um discurso chamando o país para a reconciliação: “Eu lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Eu tenho prezado pelo ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas possam viver juntas em harmonia e com iguais oportunidades. É um ideal pelo qual eu espero viver e que eu espero alcançar. Mas caso seja necessário, é um ideal pelo qual eu estou pronto para morrer”.

Notícia do Jornal Nacional sobre a libertação de Mandela

Em 1994, tornou-se o primeiro presidente democraticamente eleito no país. A eleição que o colocou no poder foi também sua primeira oportunidade de votar na vida. Nas décadas posteriores, ele continuou prestando serviços à humanidade, consagrando-se um dos maiores símbolos dos direitos humanos no século 20.

Mandela morreu em dezembro de 2013, aos 95 anos, em casa. Ele ficou internado de junho a setembro devido a uma infecção pulmonar. Ele morreu em casa.

Asimbonanga, uma música de protesto da época em que Nelson Mandela já se encontrava encarcerado, durante o Apartheid

Tradução:

Asimbonanga [nós não o vimos]
Asimbonang’ uMandela thina [não vimos Mandela]
Laph’ekhona [no lugar onde está]
Laph’ehleli khona [no lugar onde o aprisionaram]

Asimbonanga
Asimbonang ‘umfowethu thina [nós não vimos nosso irmão]
Laph’ekhona [no lugar onde está]
Laph’wafela khona [no lugar onde morreu]
Sithi: Hey, wena [nós dizemos: “ei você!”]
Hey, wena nawe [“ei, você e você!”]
Siyofika nini la’ siyakhona [“quando chegaremos ao nosso destino?”]

Discurso de Mandela

Dicas de filmes e livros sobre a vida de Mandela

Livros de memórias: “Conversas que tive comigo” (2010) e “Longa caminhada até a liberdade” (2012);
Filmes: “Discursos de Nelson Mandela” (1995), “Mandela, luta pela liberdade” (2007), “Invictus” (2009), “Mandela: longo caminho para a liberdade” (1994);
Documentários: “Nunca perca a esperança” (1984), “Viva Mandela” (1990), “Contagem regressiva para a liberdade: dez dias que mudou a África do Sul” (1994), “Mandela: Filho da África, pai de uma nação” (1996) e “Nelson Mandela: um homem justo” (2000).

Fontes:
BBC Brasil
DW Brasil
Istoé
Huffpost Brasil
Revista Galileu
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