Entendendo a situação do Afeganistão

Entendendo a situação do Afeganistão

Tomada do Talibã

O grupo islâmico extremista surgiu para lutar contra a União Soviética no Afeganistão, juntamente com o apoio dos Estados Unidos. Com a vitória nessa guerra, o Talibã cresceu meteoricamente e passou a explicitar seu objetivo, que era impor uma lei islâmica, onde os integrantes interpretavam da sua própria maneira no país. O Talibã conseguiu esse objetivo rapidamente: em 1996, eles capturaram Cabul, a capital do Afeganistão.

Regime de 5 anos do Talibã

O grupo de orientação sunita permaneceu no controle do Talibã entre 1996 e 2001. Nesse período, as mulheres eram proibidas de estudar ou sair na rua sem a burca, peça de roupa que só deixa os olhos à mostra. Execuções públicas e açoitamentos eram comuns pelos membros do Talibã, que formavam uma espécie de polícia paramilitar. Qualquer tipo de consumo da cultura ocidental foi proibido no país, incluindo filmes e música.

Invasão dos Estados Unidos

Com o famoso ataque às Torres Gêmeas, em 2001, o governo dos Estados Unidos decidiu invadir o Afeganistão com o objetivo de capturar o mandante do ataque terrorista: Osama bin Laden. Ainda em 2001, uma coalizão liderada pelo governo americano realizou diversos ataques aéreos ao Talibã, com a justificativa de que, além de esconder membros da Al-Qaeda, o Talibã financiava o grupo terrorista responsável pelos ataques de 11 de setembro.

Parceria entre Afeganistão e Estados Unidos

Com a queda do Talibã, Hamid Karzai foi escolhido líder interino ao final de 2001. Três anos depois, ele foi eleito presidente do Afeganistão, retomando, assim, a democracia no Afeganistão. Com a tentativa de ajudar o governo a combater o grupo extremista, o governo americano passou a treinar os soldados afegãos, além de injetar recursos na segurança do país. Ao todo, os Estados Unidos mobilizaram 98 mil soldados e investiram 83 bilhões de dólares.

Donald Trump e o Acordo de Doha

Crítico das “guerras sem fim”, Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em 2017. No ano seguinte, iniciou as negociações com o Talibã com o objetivo de finalizar a guerra que tirou a vida de milhares de soldados americanos. Em 2020, ambas as partes assinaram o Acordo de Doha. Nele, os Estados Unidos concordaram em retirar suas tropas do Afeganistão e, em contrapartida, o Talibã se comprometeu a proibir, em seu território, a presença de grupos terroristas que ofereçam risco aos americanos.

 

Talibã retoma o controle do Afeganistão

Já sob o comando de Joe Biden, que prometeu honrar o tratado feito por Trump, os Estados Unidos começaram a retirada das tropas e entregam a base ao governo afegão em julho de 2021. Em agosto, o Talibã começou sua ofensiva e, devido a corrupção do governo, tomou distritos e capitais provinciais de forma meteórica. O recurso investido pelos Estados Unidos era constantemente desviado, além disso, o número de soldados do país era inflado, tendo em vista que líderes do exército afegão recebiam salário de combatentes fantasmas. Sendo assim, no mesmo mês, os extremistas tomaram o controle do Afeganistão ao invadir, com facilidade, a capital: Cabul.