Enchentes, Inundações e Alagamentos

Enchentes, Inundações e Alagamentos

O problema das enchentes passou a ser algo comum na vida das populações de algumas cidades. Infelizmente, todo o ano entre os meses de dezembro e fevereiro, vemos as cidades serem destruídas por problemas relacionados com a elevação dos cursos d´água e a inundação de casas e ruas, desencadeando uma série de tragédias que, quase sempre, poderia ser evitada.

É natural que no período de chuvas o nível da água suba, mas devido a alteração no curso dos rios, a canalização deles, impermeabilização do solo, a retirada de vegetação do entorno do rio e outras diversas alterações ocasionadas pela urbanização, as perdas irreparáveis para a população. Um planejamento urbano bem feito presume uma estrutura urbana que suporte as ações da chuva o ano todo, mas o crescimento desenfreado das cidades e as intervenções urbanas têm intensificado os estragos.

Antes de falar sobre as soluções e consequências desses desastres, vamos traduzir alguns termos e conceitos importantes.

Leito vazante: é o espaço ocupado pelo escoamento das águas baixas, acompanhando a linha de maior profundidade do canal, sendo responsável pelo escoamento das águas na época de estiagem.

Situação normal: nível d’água normal da drenagem restrito ao leito menor. É um espaço bem delimitado, com margens geralmente bem definidas, e no qual a freqüência de escoamento é suficiente para impedir o estabelecimento de vegetação.

Enchente ou cheia: o aumento do nível da água no canal de drenagem em função do aumento da vazão, atingindo a cota máxima do canal, porém, sem que isso gere transbordamento.

Inundação: é o transbordamento das águas de um curso de água. O transbordamento inunda a região quando o sistema de drenagem não é capaz de conter a vazão de chuva. Existem três tipos de inundação:

Inundação fluvial: quando fortes chuvas causam o transbordamento de rios e lagos;
Inundação marítima: originada por grandes ondas e ressacas;
Inundação artificial: causada por falhas humanas, como por exemplo o rompimento de barragens.

Alagamento: é o acúmulo momentâneo de águas em perímetro urbano por deficiência no sistema de drenagem, cobrindo obre pequena parte da planície.

Enxurrada: grande quantidade de água que corre com violência, resultante de chuvas abundantes.

Solapamento de margens: queda das encostas provocadas pelo aprofundamento das calhas fluviais e erosões das margens dos cursos d’ água.

Assoreamento: é o processo em que se observa no leito dos rios acúmulo de detritos, lixo, entulho ou outros materiais. No fundo dos rios e lagoas, esse acúmulo interfere na topografia de seus leitos impedindo-os de portar todo o seu volume hídrico, provocando transbordamento em épocas de grande quantidade de chuvas.

O ponto principal a ser tratado é avaliar quais ações deveriam ser tomadas para reduzir os danos ocasionados pelas chuvas e evitar, inclusive, as mortes provocadas por elas. O fato é que as inundações e desabamentos precisam deixar de serem tratados como consequências meteorológicas e enfrentados como realmente é,  uma combinação de fatores: ocupação desordenada, acúmulo de lixo, falta de planejamento urbano, inexistência de um plano de crise para colher famílias em áreas de risco. 

A maioria dos problemas no Brasil de ordem geológica e hidrológica é de certa forma induzida por erros técnicos cometidos pelo homem na gestão do uso do solo.

Atenção! Repertório:

A responsabilidade em relação aos desastres é dos governos Federal, Estadual e Municipal e para isso, precisa existir uma articulação entre eles. A esfera municipal deveria tratar do planejamento e da contenção, mas em muitos casos falta estrutura organizacional, financeira e até técnica para tratar do assunto, é aí que entra a participação das outras esferas de governo.

Tal articulação já é prevista em Lei, por intermédio da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC, instituída pela Lei nº 12.608 de 10 de abril de 2012, publicada no Diário Oficial da União nº 70, de 11 de abril de 2012, traz os princípios, os objetivos e instrumentos de como a gestão de riscos de desastres e a gestão de desastres serão implementadas no Brasil, com o propósito de assegurar condições sociais, econômicas e ambientais adequadas para garantir a dignidade da população e garantir a promoção do desenvolvimento sustentável. 

Mas só se tornou possível depois de sucessivas tragédias que ocorreram, e mesmo assim, falta na prática algumas ações de contingenciamento e prevenção:

  • Aumentar a irrigação do solo: usar pavimentação porosa, uso de poço e trincheira de infiltração.
  • Retardar o escoamento com o uso de telhados verdes, recuperar a vegetação ao redor dos rios.
  • Limpeza periódica das drenagens, antes do período de chuvas. O desentupimento de bueiros é essencial para evitar possíveis tragédias, bem como a retirada de objetos, móveis velhos e jogados pelas vias.
  • Evitar e impedir novas construções em áreas de risco área do leito maior do rio e da planície de inundação.
  • Manter histórico de eventos no município, com data das ocorrências, quantidade de chuva precipitada, altura da lâmina d’água durante as inundações, tempo de permanência da inundação.
  • Instalar sistema de alerta de chuvas.

O cuidado para evitar enchentes, inundações e alagamentos prevenir outros problemas, consequências desse tipo de evento, doenças, perda de habitações e até mortes. O processo de inundação afeta a infraestrutura e a saúde pública de uma cidade, é preciso a interação de serviços públicos como defesa civil, manutenção do sistema de drenagem, limpeza pública, para minimizar e mapear as ocorrências.  As ações de mitigação nem sempre solucionam o problema e é por isso que um plano de crise pode auxiliar a população, principalmente a população pobre, que mais sofre perdas. 

Vídeo para ajudar a entender os conceitos:

Fontes:
Manual de Proteção e Defesa Civil: A Política Nacional de Proteção e Defesa Civil de 2017
Curso de Capacitação de Técnicos Municipais para Prevenção e Gerenciamento de Riscos de Desastres Naturais – CPRM Serviço Geológico do Brasil
https://www.mdr.gov.br/protecao-e-defesa-civil/politica-nacional-de-protecao-e-defesa-civil
https://acqualisengenharia.com.br/
http://www.sanepar.com.br/