Coronavírus: O perigo para a população indígena

Coronavírus: O perigo para a população indígena

A população mundial está imunologicamente suscetível ao vírus causador da COVID-19, mas alguns povos estão em situação de maior risco. Estudos revelam que a população indígena, por exemplo, é mais vulnerável a epidemias em função de condições sociais, econômicas e de saúde. Hoje, estima-se que mais de 80 mil indígenas estão em situações de risco e correm perigo de serem dizimados caso a pandemia chegue às suas aldeias.

Um estudo de antropólogos e geógrafos liderados pela demógrafa Marta Azevedo, da Unicamp, revelou que eles são especialmente suscetíveis a vírus porque as nações atuais foram contactadas majoritariamente no século 20, durante a colonização, e tiveram pouco contato biológico com patógenos com os quais a população não-indígena já lidou. Estima-se que dos 2,5 milhões de povos indígenas que viviam no Brasil, menos de 10% sobreviveram até os anos 1600. A principal razão para o despovoamento foram doenças como a varíola, que avançaram muito além do movimento dos colonos europeus. Outro ponto importante de se analisar é que há índices de que as doenças respiratórias são a principal causa de morte entre as populações nativas brasileiras e o reflexo disso pode representar uma alta taxa de mortalidade.

Para ilustrar essa situação, dados do Ministério da Saúde apontam que doenças infecciosas e parasitárias, tipos de enfermidades considerados evitáveis, foram responsáveis por 7,2% das mortes ocorridas entre indígenas, ante uma média nacional de 4,5%. Entre as crianças indígenas com menos de um ano, as doenças respiratórias foram responsáveis por 22,6% das mortes registradas em 2019, índice só inferior ao de mortes causadas por problemas no período perinatal (24,5%).
Além de toda preocupação, há ainda uma dificuldade maior de abastecimento de itens essenciais, de acesso aos profissionais de saúde e deslocamento dos doentes graves, pela dificuldade de acesso, é um trabalho considerável de logísticas para evitar o contágio e cuidar dos doentes, até mesmo de outras enfermidades que precisam de acompanhamento durante a pandemia. São 896,9 mil indígenas no Brasil, segundo censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística); deles, 64% estão na zona rural e 36%, nas cidades.

O sistema de saúde indígena brasileiro é responsável por executar políticas de auxílio é dividido nos chamados Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei). Atualmente existem 34 Dseis, onde seis têm maior grau de vulnerabilidade e estão na região amazônica. São elas:
Alto Rio Negro (AM) – 19.099 pessoas
Yanomami (RR) – 25.972
Xavante (MT) – 19.213
Xingu (MT) – 6.704
Kaiapó do Pará (PA) – 4.559
Rio Tapajós (PA) – 6.074

O que está sendo feito?

Aldeias em diversas regiões do país suspenderam a entrada e saída do território, interromperam a recepção de turistas e restringiram o número de reuniões e outras atividades internas. Lideranças também buscam levar informações sobre a covid-19 a outros membros das comunidades.

A Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), afirma que o poder público deve dialogar com lideranças indígenas para implementar ações de controle da covid-19 em cada comunidade e se atentar às populações indígenas vivendo próximas de grandes centros urbanos, onde há transmissão comunitária do coronavírus.

A Funai (Fundação Nacional do Índio), órgão vinculado ao Ministério da Justiça que é responsável pela política indigenista, anunciou, em 18 de março, a suspensão das autorizações de entrada em terras indígenas, com exceção das pessoas que fornecem serviços essenciais às comunidades, como saúde, segurança, alimentos e remédios.

A Funai também autorizou que as 39 coordenações regionais do órgão em todo país possam fazer contato direto com os povos indígenas isolados (ou seja, aqueles que não têm contato com outros grupos, indígenas ou não indígenas) se entenderem que isso seja necessário para protegê-los da propagação do novo vírus. Ação muito criticada, pois vai contra a política de não contato, por entender que é preciso respeitar o modo de vida dos isolados. Além disso, eles são mais vulneráveis a doenças.

Fonte:
https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/23/81-mil-indigenas-estao-em-situacao-de-vulnerabilidade-critica-em-caso-de-exposicao-a-covid-19-diz-estudo.ghtml
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52030530
https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/se-coronavirus-entrar-nas-aldeias-e-possivel-que-aumento-de-casos-seja-explosivo-alerta-especialista
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/03/23/Como-o-coronav%C3%ADrus-afeta-popula%C3%A7%C3%B5es-ind%C3%ADgenas-no-Brasil