Libertação de Nelson Mandela

30 Anos da Libertação de Nelson Mandela

Nelson Mandela

No dia 11 de fevereiro, comemoramos 30 anos de libertação de Nelson Mandela, após 28 anos na prisão por lutar contra o apartheid, ou “desenvolvimento separado de raças”, política de segregação que durou 46 anos na África do Sul.

O apartheid se apoiava em três pilares: a lei sobre a classificação da população, a lei sobre o habitat separado e a lei sobre a terra. Os habitantes eram classificados desde o nascimento em quatro categorias: branco, negro, mestiço e índio.

Na vida cotidiana, havia placas para reservar ônibus, restaurantes, bilheterias e até praias para a população branca. Os casamentos mistos e sexo interracial eram proibidos. Os negros tinham acesso à educação e à saúde de menor qualidade. Mandela é considerado um dos líderes mais importantes na luta contra a segregação racial.

Vamos conhecer um pouco sobre Madiba?

Seu nome era Rolihlahla Madiba Mandela, de origem africana. Na escola, lhe foi dado o nome “Nelson”, pois os britânicos não conseguiam pronunciar os nomes africanos.

Em 1939, com 21 anos, ele ingressou na “Universidade Fort Hare”, a primeira Universidade da África do Sul, fundada em 1916. Envolvido em movimentos estudantis e protestos dentro da Universidade, Mandela resolve deixar a faculdade, antes de terminar o curso, e vai para Joanesburgo, capital da África do Sul.

Foi nesse momento, diante dos problemas enfrentados na cidade grande e ainda do abismo existente entre negros e brancos, que Mandela resolve voltar a estudar e lutar contra o racismo em seu país.

Nesse contexto, Mandela começa a frequentar as reuniões da CNA (Congresso Nacional Africano), movimento contra o Apartheid. Em 1944, junto com Walter Sisulo e Oliver Tambo fundam a “Liga Juvenil do CNA”. Nesse mesmo ano, casa-se com Evelyn Mase, com quem teve 4 filhos. A união, entretanto, durou 12 anos. Em seguida abre o primeiro escritório de advocacia para negros de Joanesburgo, uma ousadia tremenda.

Em 1958, ele se casa pela segunda vez com a assistente social Nomzamo Winnie Madikizela. Dois anos depois, ocorre o “Massacre de Sharpeville”, quando a polícia reprime negros que protestavam pacificamente contra o regime e foram mortos pela polícia. A ação deixou 69 negros mortos e mais de cem feridos. O governo sul-africano se utilizou de caminhões para retirar os corpos e nenhum policial foi condenado ou preso.

Foto do Massacre de Sharpeville
Foto do Massacre de Sharpeville

Este fato foi decisivo para que Mandela se envolvesse ainda mais na militância política, tornando-se o comandante do braço armado da CNA. Em 1962, saiu escondido do país para pedir apoio, principalmente financeiro, à sua causa.

Ao retornar à África do Sul, ainda no mesmo ano, foi preso e condenado a cinco anos de prisão por participar da organização de protestos. Em outubro de 1963, Mandela e outros sete réus foram condenados à prisão perpétua, acusados de terem organizado 150 atos de sabotagem e enviado para a prisão da Ilha de Robben, destinada a presos políticos, na Cidade do Cabo.

Lá, isolado do mundo exterior por 18 anos, ocupava a cela de número 466/64, com dimensões de 2,5/2,1 metros e uma pequena janela; realizou trabalhos forçados em pedreiras, não recebia visita dos filhos, uma vez que menores de 16 anos, segundo as leis do país, não podiam ver o pai.

Winnie Mandela, sua esposa, mantinha viva a luta contra o apartheid e pela libertação de Mandela. As rebeliões explodiam, sobretudo nas township. Em 1982, foi transferido para a prisão de Pollsmor; em 1985, o então presidente Pieter Botha ofereceu a liberdade de Mandela desde que o CNA renunciasse à luta armada, o que foi recusado por Madiba, que mandou uma mensagem ao povo pela filha Zinzi: ‘‘Eu não posso e não vou prometer nada enquanto eu, você, o povo, não forem livres. A liberdade de vocês e a minha não podem ser separadas. Eu vou voltar. Amandla! (Poder) “. A luta continuava, dentro e fora da África do Sul.

Cela em que passou a maior parte do período preso
Cela em que passou a maior parte do período preso

Seu filho mais velho, Madiba Thembekile, morreu aos 25 anos em um acidente de carro, enquanto Mandela cumpria sua pena de prisão. Não foi permitida sua presença no enterro do filho. Sua mãe também morreu no período em que esteve preso. Depois de se tratar de uma tuberculose durante algumas semanas numa clínica, Mandela passou a viver numa casa, no pátio de outra prisão perto da Cidade do Cabo.

A resistência contra o apartheid foi se tornando cada vez mais violenta e as sanções internacionais contra a África do Sul foram se acumulando: exclusão dos Jogos Olímpicos, expulsão dos órgãos da ONU, embargo sobre armas, embargo à venda de petróleo, entre outros.

Ao assumir o governo em 1989, Frederik de Klerk reconheceu que reformas eram inevitáveis, para que o país não submergisse na guerra civil e no caos. Em fevereiro de 1990, cancelou a interdição do ANC, revogou algumas leis racistas e libertou Nelson Mandela, em 1990. Foram 28 anos preso, após uma grande campanha internacional, que fez com que fosse libertado, já aos 72 anos.

Mandela deixou a prisão em uma breve caminhando ao lado de Winie Madikizela
Mandela deixou a prisão em uma breve caminhando ao lado de Winie Madikizela

Um mar de pessoas, negras e brancas, cobria as ruas à espera de Madiba – apelido carinhoso dado pelos sul-africanos. Muitos não sabiam o que esperar da condição física do ex-prisioneiro tratado pelo Governo do apartheid como chefe de um movimento terrorista. A imagem de Mandela teve circulação proibida, e ele também não havia sido fotografado durante as quase três décadas em que esteve atrás das grades.

Ao sair da prisão, Mandiba fez um discurso chamando o país para a reconciliação: “Eu lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Eu tenho prezado pelo ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas possam viver juntas em harmonia e com iguais oportunidades. É um ideal pelo qual eu espero viver e que eu espero alcançar. Mas caso seja necessário, é um ideal pelo qual eu estou pronto para morrer”.

Notícia do Jornal Nacional sobre a libertação de Mandela

Em 1994, tornou-se o primeiro presidente democraticamente eleito no país. A eleição que o colocou no poder foi também sua primeira oportunidade de votar na vida. Nas décadas posteriores, ele continuou prestando serviços à humanidade, consagrando-se um dos maiores símbolos dos direitos humanos no século 20.

Mandela morreu em dezembro de 2013, aos 95 anos, em casa. Ele ficou internado de junho a setembro devido a uma infecção pulmonar. Ele morreu em casa.

Asimbonanga, uma música de protesto da época em que Nelson Mandela já se encontrava encarcerado, durante o Apartheid

Tradução:

Asimbonanga [nós não o vimos]
Asimbonang’ uMandela thina [não vimos Mandela]
Laph’ekhona [no lugar onde está]
Laph’ehleli khona [no lugar onde o aprisionaram]

Asimbonanga
Asimbonang ‘umfowethu thina [nós não vimos nosso irmão]
Laph’ekhona [no lugar onde está]
Laph’wafela khona [no lugar onde morreu]
Sithi: Hey, wena [nós dizemos: “ei você!”]
Hey, wena nawe [“ei, você e você!”]
Siyofika nini la’ siyakhona [“quando chegaremos ao nosso destino?”]

Discurso de Mandela

Dicas de filmes e livros sobre a vida de Mandela

Livros de memórias: “Conversas que tive comigo” (2010) e “Longa caminhada até a liberdade” (2012);
Filmes: “Discursos de Nelson Mandela” (1995), “Mandela, luta pela liberdade” (2007), “Invictus” (2009), “Mandela: longo caminho para a liberdade” (1994);
Documentários: “Nunca perca a esperança” (1984), “Viva Mandela” (1990), “Contagem regressiva para a liberdade: dez dias que mudou a África do Sul” (1994), “Mandela: Filho da África, pai de uma nação” (1996) e “Nelson Mandela: um homem justo” (2000).

Fontes:
BBC Brasil
DW Brasil
Istoé
Huffpost Brasil
Revista Galileu
History

Arte Barroca

Arte Barroca

A Flagelação de Cristo - Caravaggio / Reprodução
A Flagelação de Cristo – Caravaggio / Reprodução

O Barroco é a expressão artística dominante no século XVI / XVII na Europa e deixa resquícios na arte brasileira do período. Fruto da Contrarreforma o estilo Barroco incorpora as contradições oriundas de duas fontes distintas: a fé medieval x a racionalidade renascentista.

A Europa do século XVII reflete a crise religiosa do século anterior. O homem europeu se vê dividido entre duas forças opostas: o antropocentrismo e o teocentrismo. Resultado dessa tentativa de conciliar forças opostas: a dualidade da arte, que passa, em todas as modalidades artísticas, a revelar o conflito existencial entre espirito x material, fé x razão, Deus x Diabo, céu x inferno…

Ao exagero arquitetônico, ao luxo das igrejas, se somam os contrates de cores na pintura, as variações fônicas na música e o uso excessivo de figuras de linguagem na literatura: antíteses, paradoxos, oximoros, metáforas, alegorias, rebuscamento por meio do hipérbato e a construção que envolve a linha de raciocínio, o conceptismo e o rebuscar total das palavras do Cultismo.

Arte barroca
O Êxtase de Santa Teresa – Gian Lorenzo Bernini

 

Arte Barroca no Brasil

No Brasil nossos principais representantes: na prosa, por meio dos sermões, o português Padre Antônio Vieira e na poesia o irreverente Gregório de Matos Guerra.

Padre Antônio Vieira apresenta a arte Barroca por meio de sermões. Um estilo rebuscado, com desenvolvimento de um jogo de raciocínio intenso e de palavras. Os temas revelam um posicionamento não apenas religioso, mas político e social. Vieira ganhou a antipatia da Inquisição, inclusive preso, ao defender o retorno dos judeus, perseguidos pelo tribunal, ao território português, para driblar a crise econômica. No Brasil, combateu com radicalismo a escravização dos índios.

Cabe informar que a arte Barroca no Brasil passa a ser uma “cópia” da arte europeia; não havia no pais uma representação religiosa forte e marcante como havia na Europa, Portugal e Espanha, por exemplo. Isso permite o aparecimento de uma arte inovadora e fora dos padrões barrocos como a do poeta Gregório de Matos Guerra, que, apesar de ser o representante da poesia lírica sacra, amorosa e filosófica, dentro dos moldes do Barroco europeu, passa a produzir uma obra originalíssima e peculiar, a produção satírica.

Esse tipo de produção é que dá ao poeta o cognome de Boca do Inferno. Gregório de Matos Guerra, apresenta um retrato da Bahia seiscentista, enfocando os desvios religiosos, econômicos, sexuais… revelando o papel do negro, do mulato, do nobre, do índio, personagens que compunham o registro étnico e cultural do Brasil. Ideia mais tarde retomada em pleno Modernismo brasileiro por Oswald de Andrade e Mario de Andrade.

Adino José Cardoso

75 Anos da Libertação de Auschwitz

75 Anos da Libertação de Auschwitz

Entrada do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. A original foi furtada durante a madrugada. A frase, em alemão, significa 'o trabalho liberta'.
Entrada do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. A original foi furtada durante a madrugada. A frase, em alemão, significa ‘o trabalho liberta’.

No dia 27 de janeiro de 1945, os soviéticos libertaram cerca de 7.500 pessoas no maior e mais conhecido campo de concentração alemão, Auschwitz Birkenau. Estima-se que tenham morrido mais de 1,5 milhão de pessoas no campo de extermínio, entre eles judeus, a maioria, ciganos, homossexuais, opositores políticos e prisioneiros de guerra.

Ele incluía três campos principais e seus prisioneiros eram utilizados no trabalho escravo. Um dos campos também funcionava como centro de extermínio. O complexo industrial montado pela IG Farben produzia de armamentos a tinta e faturava US$ 250 milhões ao ano, em valores atualizados.

Centenas de prisioneiros judeus húngaros, transportados como gado, aguardam serem selecionados pelos oficiais nazistas para a morte ou para a escravidão no campo de concentração de Auschwitz. Polônia, maio de 1944.
Centenas de prisioneiros judeus húngaros, transportados como gado, aguardam serem selecionados pelos oficiais nazistas para a morte ou para a escravidão no campo de concentração de Auschwitz. Polônia, maio de 1944.

O campo exerceu um papel fundamental no plano alemão para exterminar os judeus da Europa, utilizando o gás Zyklon B para os assassinatos em massa. Em 1943, foram construídos quatro prédios destinados à cremação dos mortos, cada um deles com três componentes: uma área onde os prisioneiros tinham que tirar suas roupas , uma grande câmara de gás para onde eles – homens, mulheres, bebês, crianças, novos e idosos – eram empurrados e trancados, e finalmente os fornos crematórios para acabar rapidamente com os corpos e permitir que mais prisioneiros entrassem na câmara de gás para continuar o processo de matança.

Entrada do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. A original foi furtada durante a madrugada. A frase, em alemão, significa 'o trabalho liberta'.
Malas que pertenciam a pessoas deportadas para o campo de Auschwitz. Esta fotografia foi tirada depois que as forças soviéticas libertaram o campo. Auschwitz, Polônia. Foto tirada após janeiro de 1945.

Conhecido como o “Anjo da Morte”, ou às vezes como o “Anjo Branco”, devido à sua frieza cruel na rampa, Mengele tornou-se o médico mais associado a aquela “tarefa de seleção”. “Mengele foi o mais sádico e cruel de todos. Como se estivesse brincando de Deus, selava o destino dos prisioneiros que chegavam a Auschwitz. Enquanto uns seguiam para o campo de trabalhos forçados, outros eram jogados nas câmaras de gás”, explica o jornalista americano Gerald Posner, autor de Mengele – The Complete Story (2000).

Josef Mengele (1911-1979)
Josef Mengele (1911-1979)

Um terceiro grupo, formado por gêmeos, anões e deficientes físicos, era usado como cobaia de experimentos macabros no pavilhão batizado de “zoológico”. Suas pesquisas, que nada contribuíram para a ciência, consistiam, entre outras atrocidades, em testar os limites do ser humano em temperaturas altíssimas – como caldeirões de água fervente – ou injetar cimento líquido nos úteros das prisioneiras para avaliar os efeitos da esterilização em massa.

Em janeiro de 1945, conforme as forças soviéticas se aproximavam de Auschwitz, as SS  queimaram documentos, plantas e telegramas, e crematórios e câmaras de gás, explodidos. Começaram a evacuar aquele campo para que não ficasse vestígios de seus crimes. Os guardas das SS forçaram quase 60.000 prisioneiros desnutridos, doentes, sem roupas nem sapatos adequadas ao frio, a caminhar rumo ao oeste, atirando em qualquer um que caísse ou não conseguisse acompanhar a marcha. Os prisioneiros sofriam de inanição e exposição aos elementos naturais, e quase 15.000 deles não resistiram e morreram durante aquela marcha. Muitos outros milhares também foram mortos nos campos nos dias em que antecederam a marcha.

Médico soviético examinando sobreviventes do campo de Auschwitz logo após sua libertação pelos Aliados. Auschwitz. Polônia, 18 de fevereiro de 1945.
Médico soviético examinando sobreviventes do campo de Auschwitz logo após sua libertação pelos Aliados. Auschwitz. Polônia, 18 de fevereiro de 1945.

Hoje, o local é patrimônio da Humanidade da Unesco e um museu-memorial de 200 hectares visitado a cada ano por mais de um milhão de pessoas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, em visita à exposição “75 anos após Auschwitz – Educação e Memória ao Holocausto para Justiça Global”, disse que “memória e educação” são partes essenciais para esforços de prevenção, “porque a ignorância cria um campo fértil para narrativas falsas e mentirosas”. “‘Nunca mais’ significa contar a história de novo e de novo”, defendeu.

Veja o vídeo aéreo de Auschwitz feito pela BBC:

Como Auschwitz funcionava

1. Triagem

Em primeiro lugar, homens fortes e jovens. Depois, mulheres sem filhos. Quem não tivesse esse perfil, dificilmente sobreviveria ao primeiro dia em Auschwitz. Mães, crianças, velhos, doentes e feridos eram assassinados imediatamente. Quem reagisse era fuzilado na hora.

2. Esforço

As jornadas eram duras: não menos que 12 horas diárias de trabalho em obras de manutenção e expansão do campo, recuperação de estradas e operação das fábricas da IG Farben. Cada prisioneiro recebia 3 refeições por dia, que limitavam-se a pão, café e sopa de batata, às vezes engrossada com aveia ou farelo de trigo.

3. Contagem

Sem banheiros ou calefação, os prisioneiros dormiam amontoados: em alguns casos, com 5 pessoas por cama. Todos os dias, de manhã e à noite, eram levados para fora dos barracões e contados, fizesse chuva, sol ou neve.

4. Engenharia

Os novos complexos, inaugurados em 1943, já haviam sido construídos prevendo o extermínio em massa. As câmaras de gás ficavam abaixo do nível do solo e tinham uma única abertura no teto, por onde os soldados da SS, protegidos por máscaras especiais, introduziam os cristais de ácido cianídrico.

5. Fornos

Ligados às câmaras, havia 5 fornos a gás que, juntos, podiam destruir 5.000 corpos por dia. As altas temperaturas deixavam poucas cinzas e resíduos, eliminados através da chaminé. Como em alguns momentos os fornos não atendiam à demanda, que chegou a 20.000 mortos por dia, alguns corpos eram queimados ao ar livre.

Fontes:
BBC Brasil

ONU Brasil
DW Brasil
Holocaust Encyclopedia

Aspectos da Agricultura Brasileira

Aspectos da Agricultura Brasileira

A Agricultura no Brasil representa uma das fatias mais importantes da economia brasileira. Mesmo que se apresente com pouco mais de 5% de representação do PIB, o setor movimenta quase R$ 100 bilhões em exportações.

Junto à pecuária, de acordo com dados da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os setores são parte vital da economia brasileira.

Há anos a agricultura no Brasil passa por constantes transformações e ciclos. Canaviais, plantações de café, fumo, soja e por aí vai. Uma grande variação que vem desde o período colonial com a cana-de-açúcar com atual expansão da soja e do café.

O ritmo do ciclo acabou transformando o setor no Brasil consideravelmente a partir de meados do século XX. A mecanização e a modernização da produção, bem como a substituição do homem pela máquina nas atividades, remodelaram a agricultura no Brasil.

Modernização da Agricultura no Brasil

O processo de mecanização e modernização por qual passa a agricultura no Brasil está diretamente relacionada a todo o processo de industrialização ocorrido no país. O fato em questão, bem como a evolução dos processos, demonstra a reconfiguração do espaço geográfico do Brasil.

Nota-se, portanto uma alteração nas regiões a partir de uma análise mais aprofundada abrangendo a questão que envolve a agricultura no país. Sob esta nova ótica, o avanço das indústrias contribuiu para um notório crescimento do setor terciário.

Este, por sua vez, foi determinante para a aceleração do processo de urbanização. O campo acabou, economicamente, subordinado às cidades. O meio urbano apropriou-se, assim, do maquinário, equipamento e pesticidas essenciais do meio agropecuário.

Agricultura por região do país

Região Sul

A produção na região vem, sobretudo, da ocupação de imigrantes europeus, desde o sul da região ao norte do Paraná. Atualmente, a expansão da soja para exportação tem sido a grande caracterização da agropecuária da região.

A região sul, além disso, passa por um nítido processo de mecanização e modernização dos instrumentos. No oeste de Santa Catarina e Paraná, bem como no norte do Rio Grande do Sul, é perceptível essa adoção.

Algodão, milho, cana-de-açúcar e, claro, a soja estão entre os principais cultivos.

Região Sudeste

Da mesma forma que a região sul, o sudeste vive com o processo de mecanização e modernização do campo. A alta tecnologia predominante é sustentada por um meio urbano de alta produção das máquinas, defensivos e equipamentos.

Apesar de ser a região da Agricultura no Brasil em que se nota grande subordinação do campo ao meio urbano (indústrias), o uso, manejo e produtividade do solo se destacam.

O café, a fruticultura e a cana-de-açúcar estão entre as principais culturas da região.

Região Centro-Oeste

Região de maior expansão da Agricultura no Brasil. Também mecanizada, e se estendendo na direção da floresta Amazônica, a região enfrenta o problema causando por embargos e limitações de terras demarcadas.

A Revolução Verde possibilitou a ocupação na região, permitindo cultivo em longos espaços de terra. O principal produto é a soja, utilizada como commoditie para o mercado externo.

Graça Veloso

O Grafite Contemporâneo

O Grafite Contemporâneo

O grafite contemporâneo tem suas raízes em New York e Philadelphia nos anos 70, onde após uma crise nas academias e escolas de artes dos EUA, jovens artistas buscavam  novas linguagens.

Os principais alvos dos grafiteiros americanos foram os metros, uma vez que os mesmos circundavam pelas cidades e assim mostravam os trabalhos feitos para milhões de pessoas. Os temas giravam principalmente em torno da cultura hip-hop, com letras e Tags – marcas ou assinaturas de cada grafiteiro – que foram evoluindo e ganhando características diversas.

Com passar dos tempos, os muros tornassem o suporte, o espaço de todos esses grafismos, ícones, narrativas e memórias de uma metrópole. Nasce da necessidade de passar uma mensagem. Em cada símbolo, torna os muros sociais visíveis.  É só lembrarmos-nos do Muro de Berlim construído no início da década de 1960, com o objetivo de dividir a Alemanha em duas.

A insurreição estudantil em 1968, em Paris contou com uma artilharia pesada: a tinta spray, utilizada pelos jovens para clamar, com frases de protesto, nos muros das universidades. Eles criticavam o governo, as instituições, o cerceamento à liberdade de expressão.

Com o passar dos séculos, o grafite se espalhou pelo mundo. A história do grafite no Brasil surgiu na década de 70, precisamente na cidade de São Paulo.  Surge numa época conturbada da história do Brasil, em que a população era silenciada pela censura com a ditadura militar no poder.

O Brasil atualmente ocupa uma posição de destaque. O mural Etnias, realizado pelo brasileiro Eduardo Kobra para a Rio 2016, foi reconhecido como o maior grafite do mundo pelo Guiness world records, o livro dos recordes.

A obra, com 15 metros de altura e 170 de comprimento, retrata cinco rostos indígenas de cinco continentes diferentes.

Claudia Santiago Bedê Scheufler

Gênero e Sexualidade

Gênero e Sexualidade

Gênero e Sexualidade

Pelo contrário do que parece, sexualidade não é um tema estudado apenas pela biologia. A sociologia, como ciência social, estuda gênero e sexualidade, suas variações, identidades e conflitos como fenômeno social. Portanto, podemos questionar: Que imagens de meninas e meninos, mulheres e homens estão sendo usadas nos livros didáticos das mais diversas disciplinas? O que elas comunicam para além dos conteúdos disciplinares que intencionalmente procuram ilustrar? Que ideias e tipos de famílias são utilizados para representar famílias de um modo geral? Nossas práticas reproduzem ou criticam as hierarquias nas relações de gênero?

Pois bem. Em 1948, Simone de Beauvoir em seu clássico “O segundo Sexo” revolucionou os meios intelectuais com a frase “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. A expressão causou impacto nas áreas sociais e na Psicanálise de Freud e as mulheres das mais diferentes posições, classes, militantes e estudiosas passaram a repeti-la para indicar que seu modo de ser e de estar no mundo não resultava de um ato único, natural, definida antes do nascimento, mas que, em vez disso, constituía-se numa construção: uma identidade. Fazer-se mulher dependia das formas impostas, construídas subjetivamente dos gestos, dos comportamentos, das preferências e dos desgostos que lhes eram ensinados na sociedade, cotidianamente, conforme normas e valores de uma cultura.

 Foi assim que ocorreu uma grande cisão nos conceitos “gênero” e “sexo”. Por gênero se compreende o conjunto de significados sociais, culturais e históricos associados aos sexos. Diante dele, os indivíduos produzem uma identidade, correspondente à consciência que cada tem de si mesmo. É o “sentir-se como” e um processo de internalização do papel que a sociedade atribui a um indivíduo.

Já o sexo é entendido como as características físicas, biológicas, anatômicas e fisiológicas dos seres humanos que os definem, de modo genérico, entre machos, fêmeas ou intersexos. Nessa classificação biológica, o que importa são os dados corporais, genitais e genéticos, sendo o seco uma construção natural que se nasce.

Nesse aspecto, a sociologia compreende a sexualização como processo cultural e o aprendizado social de ser masculino e feminino depende dessa manifestação externa da identidade.

As identidades de gênero se relacionam na maneira pela qual a sociedade espera que as pessoas se comportem, ou seja, como a família, igreja, escola e demais instituições sociais criam processos de naturalização nos comportamentos sexuais. Em outros termos, criam valores naturais naquilo que é valor artificial e social.

É preciso entender que respeitar a diferença se torna fundamental e isso não significa dizer que abala sua identidade própria. As muitas formas de experimentar prazeres e desejos, de dar e de receber afeto, de amar e de ser amado e amada são ensinadas na cultura, são diferentes de uma cultura para outra, de uma época ou de uma geração para outra. E hoje, mais do que nunca, essas formas são múltiplas. As possibilidades de viver os gêneros e as sexualidades ampliaram-se. Por fim, desnaturalizar tais processos não significa induzir a sexualidade de ninguém e nem mesmo obrigar um determinado comportamento, até porque nenhum indivíduo é manipulado facilmente em seus gostos, atrações como se fosse um papel dobrável a qualquer momento.

Pelo contrário do que parece, sexualidade não é um tema estudado apenas pela biologia. A sociologia, como ciência social, estuda gênero e sexualidade, suas variações, identidades e conflitos como fenômeno social. Portanto, podemos questionar: Que imagens de meninas e meninos, mulheres e homens estão sendo usadas nos livros didáticos das mais diversas disciplinas? O que elas comunicam para além dos conteúdos disciplinares que intencionalmente procuram ilustrar? Que ideias e tipos de famílias são utilizados para representar famílias de um modo geral? Nossas práticas reproduzem ou criticam as hierarquias nas relações de gênero?

Pois bem. Em 1948, Simone de Beauvoir em seu clássico “O segundo Sexo” revolucionou os meios intelectuais com a frase “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. A expressão causou impacto nas áreas sociais e na Psicanálise de Freud e as mulheres das mais diferentes posições, classes, militantes e estudiosas passaram a repeti-la para indicar que seu modo de ser e de estar no mundo não resultava de um ato único, natural, definida antes do nascimento, mas que, em vez disso, constituía-se numa construção: uma identidade. Fazer-se mulher dependia das formas impostas, construídas subjetivamente dos gestos, dos comportamentos, das preferências e dos desgostos que lhes eram ensinados na sociedade, cotidianamente, conforme normas e valores de uma cultura.

 Foi assim que ocorreu uma grande cisão nos conceitos “gênero” e “sexo”. Por gênero se compreende o conjunto de significados sociais, culturais e históricos associados aos sexos. Diante dele, os indivíduos produzem uma identidade, correspondente à consciência que cada tem de si mesmo. É o “sentir-se como” e um processo de internalização do papel que a sociedade atribui a um indivíduo.

Já o sexo é entendido como as características físicas, biológicas, anatômicas e fisiológicas dos seres humanos que os definem, de modo genérico, entre machos, fêmeas ou intersexos. Nessa classificação biológica, o que importa são os dados corporais, genitais e genéticos, sendo o seco uma construção natural que se nasce.

Nesse aspecto, a sociologia compreende a sexualização como processo cultural e o aprendizado social de ser masculino e feminino depende dessa manifestação externa da identidade.

As identidades de gênero se relacionam na maneira pela qual a sociedade espera que as pessoas se comportem, ou seja, como a família, igreja, escola e demais instituições sociais criam processos de naturalização nos comportamentos sexuais. Em outros termos, criam valores naturais naquilo que é valor artificial e social.

É preciso entender que respeitar a diferença se torna fundamental e isso não significa dizer que abala sua identidade própria. As muitas formas de experimentar prazeres e desejos, de dar e de receber afeto, de amar e de ser amado e amada são ensinadas na cultura, são diferentes de uma cultura para outra, de uma época ou de uma geração para outra. E hoje, mais do que nunca, essas formas são múltiplas. As possibilidades de viver os gêneros e as sexualidades ampliaram-se. Por fim, desnaturalizar tais processos não significa induzir a sexualidade de ninguém e nem mesmo obrigar um determinado comportamento, até porque nenhum indivíduo é manipulado facilmente em seus gostos, atrações como se fosse um papel dobrável a qualquer momento.

João Gabriel

Filosofia Antiga

Filosofia Antiga: dos pré-socráticos aos helenistas

Filosofia antiga

O que compreende o período antigo da Filosofia? Quais autores mais estudar? Pois bem, este texto serve para lhe esclarecer sobre esses aspectos.

A Filosofia antiga, período compreendido entre o seu surgimento, século VI a.C ao seu declínio, transição da sociedade greco-romana para a cristã no século II e III d.C. pode ser classificada em alguns macro-períodos temporais:

1) COSMOLÓGICO, com predominância da superação da explicação mitológica do universo e da origem das principais significações da realidade.

Esse saber procurava uma explicação para a época e momento históricos, das principais questões da existência humana, tanto na natureza (buscando o conhecimento do seu princípio material) como na sociedade (relações e modos de vida dos homens).

Destaca-se nesse período um conjunto bastante diverso de filósofos que detiveram seus interesses investigativos e reflexivos voltados para a phýsis (natureza), sendo assim chamados de filósofos da natureza ou phýsicos. Seriam os principais: Tales de Mileto, Pitágoras de Samos, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaxágoras de Clazômenas, Empédocles de Agrigento, Heráclito de Éfeso, Parmênides de Eleia, Demócrito de Abdera, Zenão de Eléia, entre outros.

2) ANTROPOLÓGICO, em que o discurso cosmológico e materialista passa a dar lugar a um discurso moral e político, criando-se nesse período uma nova temática: o homem. Urge nesse contexto a filosofia dos teóricos Sofistas (Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de Atenas), as críticas de Sócrates, a teoria dualista de Platão e a metafísica de Aristóteles.

Nesse período, a democracia se instala e o poder vai sendo retirado dos aristocratas, esse ideal educativo ou pedagógico também vai sendo substituído por outro. O ideal da educação do Século de Péricles é a formação do cidadão para uma virtude cívica. Para ilustrar esse período, nada melhor que Sócrates que propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conhece-te a ti mesmo” (do pórtico do templo de Apolo, patrono grego da sabedoria) tornou-se a grande preocupação do método socrático dialético e da maiêutica.

3) HELENÍSTICO, momento de separação entre o vínculo político e filosófico. Esse período começa a se formar durante o século IV a.C. em Atenas. Sua vida como pólis foi abalada por crises decorrentes dos conflitos que os gregos estabeleceram entre si e com outros povos (ex.: Guerra do Peloponeso e, anos antes, as Guerras Médicas), foi solucionada com a derrocada definitiva da autonomia das pólis pela construção do Império com Felipe da Macedônia e sobretudo com o discípulo de Aristóteles, Alexandre Magno.

Ao dissolver as cidades-estados, os fundamentos da filosofia como razão política rompe o vínculo estreito entre os filósofos e a liberdade política. Portanto, nessa nova sociedade, o que mais rompeu a mentalidade da Hélade foi certamente o progressivo desaparecimento do papel e da importante função que tinha a razão no cenário político do mundo helênico.

Quais autores então estudar? Nesse contexto se destaca os fundamentos da escola do Cinismo (Antístenes e Diógenes), Ceticismo (pirro de Élis), Epicurismo (Epicuro de Samos) e Estoicismo – grego, com Zenão de Cítio e romano com Sêneca, Epitecto e Marco Aurélio.

Por fim, você aluno (a) deve-se lembrar que estes são os principais teóricos do período antigo da Filosofia. Ao estudar, faça análises comparativas e divergentes entre ambos, entendendo as dinâmicas próprias entre cada teórico e seu contexto histórico,

Bons estudos!

Um grande abraço do PROF. JOÃO GABRIEL.

“SAPERE AUDE! Ouse Saber” – Horário (filósofo romano).

João Gabriel

5 Curiosidades sobre Chernobyl

5 Curiosidades sobre Chernobyl: O Drama de 1986

Sala de controle do reator 4
Sala de controle do reator nº 4 da Central Nuclear de Chernobyl. Foto: Efrem Lukatsky/Getty Images

Em 26 de abril de 1986, a 20 Km da cidade de Chernobyl e a 3 Km da cidade de Pripyat (cidade construída para os trabalhadores da usina), ocorreu o maior acidente nuclear da história. O desastre aconteceu em consequência de uma sequência de falhas humanas:

1. Os reatores foram desligados para economizar energia

Com objetivo de economizar energia, os operadores do reator 4 da usina nuclear V.I. Lenin descumpriram alguns protocolos de segurança. O teste falhou e provocou a explosão do reator, que ficou exposto, queimando e lançando toneladas de material radioativo para atmosfera durante vários dias.

2. De imediato, as pessoas não perceberam a gravidade do acidente

Quando foi realizada a evacuação da área próxima a fabrica, muitas pessoas acreditavam que voltariam para suas casas em poucas horas. Ainda é possível visitar as ruínas da cidade e ver os inúmeros objetos que foram deixados pelos moradores.

3. O número de mortos

Dezenas de funcionários morreram e milhares de moradores morreriam nos anos seguintes. A tragédia ainda está longe do fim, pois o índice de radiação gama na região ainda é muito alto.

Foto aérea do reator 4 de Chernobyl
Foto aérea do reator nº 4 da Central Nuclear de Chernobyl. Disponíel em: https://istoe.com.br/tragedia-em-chernobyl/

4. Tragédia poderia ter sido evitada

Usinas nucleares são em sua maioria seguras. A sequência de falhas que provocou o desastre foi majoritariamente humana. Caso todos os protocolos de segurança tivessem sido seguidos o desastre jamais teria acontecido.

5. Existem outros casos de desastres nucleares

Em 1987 aconteceu em Goiânia-GO um grave acidente nuclear. Não se tratava de uma fábrica e sim de um hospital. Resíduos hospitalares de Césio 137 mataram quatro pessoas de imediato  e posteriormente mais duas.

Vinicius Medrado