75 Anos da Libertação de Auschwitz

75 Anos da Libertação de Auschwitz

Entrada do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. A original foi furtada durante a madrugada. A frase, em alemão, significa 'o trabalho liberta'.
Entrada do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. A original foi furtada durante a madrugada. A frase, em alemão, significa ‘o trabalho liberta’.

No dia 27 de janeiro de 1945, os soviéticos libertaram cerca de 7.500 pessoas no maior e mais conhecido campo de concentração alemão, Auschwitz Birkenau. Estima-se que tenham morrido mais de 1,5 milhão de pessoas no campo de extermínio, entre eles judeus, a maioria, ciganos, homossexuais, opositores políticos e prisioneiros de guerra.

Ele incluía três campos principais e seus prisioneiros eram utilizados no trabalho escravo. Um dos campos também funcionava como centro de extermínio. O complexo industrial montado pela IG Farben produzia de armamentos a tinta e faturava US$ 250 milhões ao ano, em valores atualizados.

Centenas de prisioneiros judeus húngaros, transportados como gado, aguardam serem selecionados pelos oficiais nazistas para a morte ou para a escravidão no campo de concentração de Auschwitz. Polônia, maio de 1944.
Centenas de prisioneiros judeus húngaros, transportados como gado, aguardam serem selecionados pelos oficiais nazistas para a morte ou para a escravidão no campo de concentração de Auschwitz. Polônia, maio de 1944.

O campo exerceu um papel fundamental no plano alemão para exterminar os judeus da Europa, utilizando o gás Zyklon B para os assassinatos em massa. Em 1943, foram construídos quatro prédios destinados à cremação dos mortos, cada um deles com três componentes: uma área onde os prisioneiros tinham que tirar suas roupas , uma grande câmara de gás para onde eles – homens, mulheres, bebês, crianças, novos e idosos – eram empurrados e trancados, e finalmente os fornos crematórios para acabar rapidamente com os corpos e permitir que mais prisioneiros entrassem na câmara de gás para continuar o processo de matança.

Entrada do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. A original foi furtada durante a madrugada. A frase, em alemão, significa 'o trabalho liberta'.
Malas que pertenciam a pessoas deportadas para o campo de Auschwitz. Esta fotografia foi tirada depois que as forças soviéticas libertaram o campo. Auschwitz, Polônia. Foto tirada após janeiro de 1945.

Conhecido como o “Anjo da Morte”, ou às vezes como o “Anjo Branco”, devido à sua frieza cruel na rampa, Mengele tornou-se o médico mais associado a aquela “tarefa de seleção”. “Mengele foi o mais sádico e cruel de todos. Como se estivesse brincando de Deus, selava o destino dos prisioneiros que chegavam a Auschwitz. Enquanto uns seguiam para o campo de trabalhos forçados, outros eram jogados nas câmaras de gás”, explica o jornalista americano Gerald Posner, autor de Mengele – The Complete Story (2000).

Josef Mengele (1911-1979)
Josef Mengele (1911-1979)

Um terceiro grupo, formado por gêmeos, anões e deficientes físicos, era usado como cobaia de experimentos macabros no pavilhão batizado de “zoológico”. Suas pesquisas, que nada contribuíram para a ciência, consistiam, entre outras atrocidades, em testar os limites do ser humano em temperaturas altíssimas – como caldeirões de água fervente – ou injetar cimento líquido nos úteros das prisioneiras para avaliar os efeitos da esterilização em massa.

Em janeiro de 1945, conforme as forças soviéticas se aproximavam de Auschwitz, as SS  queimaram documentos, plantas e telegramas, e crematórios e câmaras de gás, explodidos. Começaram a evacuar aquele campo para que não ficasse vestígios de seus crimes. Os guardas das SS forçaram quase 60.000 prisioneiros desnutridos, doentes, sem roupas nem sapatos adequadas ao frio, a caminhar rumo ao oeste, atirando em qualquer um que caísse ou não conseguisse acompanhar a marcha. Os prisioneiros sofriam de inanição e exposição aos elementos naturais, e quase 15.000 deles não resistiram e morreram durante aquela marcha. Muitos outros milhares também foram mortos nos campos nos dias em que antecederam a marcha.

Médico soviético examinando sobreviventes do campo de Auschwitz logo após sua libertação pelos Aliados. Auschwitz. Polônia, 18 de fevereiro de 1945.
Médico soviético examinando sobreviventes do campo de Auschwitz logo após sua libertação pelos Aliados. Auschwitz. Polônia, 18 de fevereiro de 1945.

Hoje, o local é patrimônio da Humanidade da Unesco e um museu-memorial de 200 hectares visitado a cada ano por mais de um milhão de pessoas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, em visita à exposição “75 anos após Auschwitz – Educação e Memória ao Holocausto para Justiça Global”, disse que “memória e educação” são partes essenciais para esforços de prevenção, “porque a ignorância cria um campo fértil para narrativas falsas e mentirosas”. “‘Nunca mais’ significa contar a história de novo e de novo”, defendeu.

Veja o vídeo aéreo de Auschwitz feito pela BBC:

Como Auschwitz funcionava

1. Triagem

Em primeiro lugar, homens fortes e jovens. Depois, mulheres sem filhos. Quem não tivesse esse perfil, dificilmente sobreviveria ao primeiro dia em Auschwitz. Mães, crianças, velhos, doentes e feridos eram assassinados imediatamente. Quem reagisse era fuzilado na hora.

2. Esforço

As jornadas eram duras: não menos que 12 horas diárias de trabalho em obras de manutenção e expansão do campo, recuperação de estradas e operação das fábricas da IG Farben. Cada prisioneiro recebia 3 refeições por dia, que limitavam-se a pão, café e sopa de batata, às vezes engrossada com aveia ou farelo de trigo.

3. Contagem

Sem banheiros ou calefação, os prisioneiros dormiam amontoados: em alguns casos, com 5 pessoas por cama. Todos os dias, de manhã e à noite, eram levados para fora dos barracões e contados, fizesse chuva, sol ou neve.

4. Engenharia

Os novos complexos, inaugurados em 1943, já haviam sido construídos prevendo o extermínio em massa. As câmaras de gás ficavam abaixo do nível do solo e tinham uma única abertura no teto, por onde os soldados da SS, protegidos por máscaras especiais, introduziam os cristais de ácido cianídrico.

5. Fornos

Ligados às câmaras, havia 5 fornos a gás que, juntos, podiam destruir 5.000 corpos por dia. As altas temperaturas deixavam poucas cinzas e resíduos, eliminados através da chaminé. Como em alguns momentos os fornos não atendiam à demanda, que chegou a 20.000 mortos por dia, alguns corpos eram queimados ao ar livre.

Fontes:
BBC Brasil

ONU Brasil
DW Brasil
Holocaust Encyclopedia